Parto Normal - Recomendações da OMS
- Naia Obelar

- 30 de set. de 2019
- 5 min de leitura
Atualizado: 15 de out. de 2019

A Organização Mundial de Saúde elaborou um documento com recomendações a respeito das práticas obstétricas. Essas recomendações são baseadas em pesquisas científicas realizadas no mundo todo. Nele estão especificadas as práticas não recomendadas por se provarem ineficazes ou prejudiciais, as práticas recomendadas por se provarem benéficas e as práticas sem evidências suficientes para tirar conclusões. É muito importante que a gestante leia e conheça os pontos principais desse documento para que a partir dele possa conversar com seu médico ou equipe de saúde que acompanhará o parto.
Recomendações da OMS (Organização Mundial de Saúde) no atendimento ao parto normal:
CATEGORIA A:PRÁTICAS DEMONSTRADAMENTE ÚTEIS E QUE DEVEM SER ESTIMULADAS:
• Plano individual determinando onde e por quem o nascimento será realizado, feito em conjunto com a mulher durante a gestação e comunicado a seu marido/companheiro e, se aplicável, a sua família;
• Avaliação do risco gestacional durante o pré-natal, reavaliado a cada contato com o sistema de saúde e no momento do primeiro contato com o prestador de serviços durante o trabalho de parto, e ao longo deste último;
• Monitoramento do bem-estar físico e emocional da mulher durante trabalho e parto e ao término do processo de nascimento;• Oferta de líquidos por via oral durante o trabalho de parto e parto;
• Respeito à escolha da mãe sobre o local do parto, após ter recebido informações;
• Fornecimento de assistência obstétrica no nível mais periférico onde o parto for viável e seguro e onde a mulher se sentir segura e confiante;
• Respeito ao direito da mulher à privacidade no local do parto;• Apoio empático pelos prestadores de serviço durante o trabalho de parto e parto;
• Respeito à escolha da mulher sobre seus acompanhantes durante o trabalho de parto e parto;• Fornecimento às mulheres sobre todas as informações e explicações que desejarem;
• Métodos não invasivos e não farmacológicos de alívio da dor, como massagem e técnicas de relaxamento, durante o trabalho de parto;
• Monitoramento fetal por meio de ausculta intermitente;• Uso de materiais descartáveis apenas uma vez e descontaminação adequada de materiais reutilizáveis, durante todo o trabalho de parto e parto;
• Uso de luvas no exame vaginal, durante o parto do bebê e no manuseio da placenta;
• Liberdade de posição e movimento durante o trabalho de parto;• Estímulo a posições não supinas durante o trabalho de parto;
• Monitoramento cuidadoso do progresso do parto, por exemplo, por meio do uso do partograma da OMS;
• Administração profilática de ocitocina no terceiro estágio do parto em mulheres com risco de hemorragia no pós-parto, ou que correm perigo em consequência da perda de até uma pequena quantidade de sangue;
• Condições estéreis ao cortar o cordão;• Prevenção da hipotermia do bebê;
• Contato cutâneo direto precoce entre mãe e filho e apoio ao início da amamentação na primeira hora após o parto, segundo as diretrizes da OMS sobre aleitamento materno;
• Exame rotineiro da placenta e membranas ovulares;
CATEGORIA B:PRÁTICAS CLARAMENTE PREJUDICIAIS OU INEFICAZES E QUE DEVEM SER ELIMINADAS
:• Uso rotineiro de enema;
• Uso rotineiro de tricotomia;
• Infusão intravenosa de rotina no trabalho de parto;
• Cateterização venosa profilática de rotina;
• Uso rotineiro de posição supina (decúbito dorsal) durante o trabalho de parto;
• Exame retal;
• Uso de pelvimetria por Raios-X;
• Administração de ocitócitos em qualquer momento antes do parto de um modo que não permite controlar seus efeitos;
• Uso de rotina da posição de litotomia com ou sem estribos durante o trabalho de parto;
• Esforço de puxo prolongado e dirigido (manobra de Valsalva) durante o 2º estágio do trabalho de parto
;• Massagem e distensão do períneo durante o 2º estágio do trabalho de parto;
• Uso de comprimidos orais de ergometrina no 3º estágio do trabalho de parto, com o objetivo de evitar ou controlar hemorragias;
• Uso rotineiro de ergometrina parenteral no 3º estágio do trabalho de parto;
• Lavagem uterina rotineira após o parto;
• Revisão uterina (exploração manual) rotineira após o parto;
CATEGORIA C:PRÁTICAS EM RELAÇÃO AS QUAIS NÃO EXISTEM EVIDÊNCIAS SUFICIENTES PARA APOIAR UMA RECOMENDAÇÃO CLARA E QUE DEVEM SER UTILIZADAS COM CAUTELA ATÉ QUE MAIS PESQUISAS ESCLAREÇAM A QUESTÃO:
• Métodos não farmacológicos de alívio de dor durante o trabalho parto, como ervas, imersão em águas e estimulação dos nervos;
• Amniotomia precoce de rotina no primeiro estágio do trabalho de parto;• Pressão do fundo durante o trabalho de parto;
• Manobras relacionadas à proteção do períneo e ao manejo do polo cefálico no momento do parto;
• Manipulação ativa do feto no momento do parto;
• Uso rotineiro de ocitocina de rotina, tração controlada do cordão, ou sua combinação durante o 3º estágio do trabalho de parto;
• Clampeamento precoce do cordão umbilical;
• Estimulação do mamilo para estimular a contratilidade uterina durante o 3º estágio do trabalho de parto.
CATEGORIA D:PRÁTICAS FREQUENTEMENTE USADAS DE MODO INADEQUADO
:• Restrição hídrica e alimentar durante o trabalho de parto;
• Controle da dor por agentes sistêmicos;
• Controle da dor por analgesia peridural;
• Monitoramento eletrônico fetal;
• Uso de máscaras e aventais estéreis durante a assistência ao trabalho de parto;
• exames vaginais repetidos ou frequentes, especialmente por mais de um prestador de serviço;
• Correção da dinâmica com utilização de ocitocina;
• Transferência rotineira da parturiente para outra sala no início do segundo estágio do trabalho de parto;
• Cateterização da bexiga;
• Estímulo para o puxo quando se diagnostica dilatação cervical completa ou quase completa, antes que a mulher sinta o puxo involuntário;
• Adesão rígida a uma duração estipulada do 2º estágio do trabalho de parto, como por exemplo uma hora, se as condições da mãe e do feto forem boas e se houver progressão do trabalho de parto;
• Parto operatório;
• Uso liberal e rotineiro de episiotomia;
• Exploração manual do útero após o parto.
Recomendações da OMS para o nascimento
Primeiros procedimentos
• Promover o contato pele a pele imediato colocando o bebê em cima da barriga da mãe e secando-o imediatamente
• Incentivar a mãe a prestar atenção
• Remover a primeira toalha e colocar outra seca cobrindo mãe e bebê juntos. Manter a cabeça do bebê coberta para evitar perda de calor pela cabeça
• De acordo com a necessidade limpar boca e narinas com pêra em vez de cateter
Ambiente ideal
• Calmo
• Pouca luz
• Quente
Corte do cordão
• Cortar o cordão apenas quando parar de pulsar enquanto o bebê está junto à mãe caso não tenha ocorrido nenhuma hemorragia significativa
Contato pele a pele prolongado
• Proporcionar o máximo de contato pele a pele de mãe e bebê durante as primeiras 2 horas após o nascimento
• Pesquisa de 2004 em Israel mostrou que bebês (de termo) que ficaram em contato canguru com suas mães por 1 hora começando aos 15 min de vida apresentaram resultados melhores do que os que foram trazidos para as mães após 1hora e 15min
• Melhor regulação térmica
• Melhor saturação de oxigênio
• Redução de apnéia e bradicardia
• Mães com mais leite
• Maior ganho de peso
• Média menor de permanência no hospital após o parto
• Sono melhor (dormiram mais tempo contínuo)
Incentivo à amamentação
• Incentivar a amamentação quando o bebê mostrar sinais de prontidão como salivar, se contorcer, fazer movimentos com a boca, mãos ou dedos na boca ou em direção aos seios
• Não forçar a amamentação até o bebê indicar que está pronto
• O ideal é que isso aconteça durante a primeira meia hora enquanto os odores naturais ainda não foram mascarados
• Aumenta na mãe o sentimento de competência para o cuidado com a criança
Exames – bebê junto da mãe
• Não remover o bebê de perto da mãe durante as primeiras horas após o nascimento
• Conduzir todos os exames essenciais do recém-nascido normal na cama da mãe ao invés de numa mesa separada
• Essencial – Apgar – composto de respiração, frequência cardíaca, tônus, cor e reflexos.
Exames não essenciais
• Adiar exames não essenciais por algumas horas: Pesar e medir e Banho (exceção mecônio, HIV ou sintomas de infecção;
• Profilaxia dos olhos – credé ocular – não fazer na primeira hora para não prejudicar a interação visual.
Não usar nitrato de prata, preferência por tetraciclina ou eritromicina que não provocam conjutivite química;
• Vitamina K – injeção ou oral (2 doses);
• Vacinas – BCG , pode esperar 1 mês.




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